Você aqui

Com você aqui
É fácil sentir
É fácil acreditar
Em qualquer sonho de nós dois

Com você aqui
O mal que há em mim
Tudo o que for ruim
Precisa marcar hora pra depois

Com você aqui
Eu posso repartir
Eu faço triplicar
O amor de cada dia

Com você aqui
Qualquer beijo e abraço
Qualquer peça de teatro
É uma dose de alegria

Com você aqui
Tá tudo certo no meu coração
No nosso jardim
Ainda brincamos de inventar constelação

Com você aqui
Sou mais eu do que sozinha
Meus segredos para que os conheça
Nem preciso revelar

Você é pra mim
Mesmo não estando aqui
Mais um bom motivo
Para estar

Vida a te esperar

Mal perdi o efeito grogue que o sono provoca e já penso em você... de repente, a imagem de seu sorriso singular alastra-se em minha mente feito um calmante, uma luz no início do túnel, feito cena do meu filme favorito, tão digna de “replay”.
Sabe, a rotina que não compartilhamos tem sido difícil mas, lembrar de você a cada segundo com prioridade me faz questionar a medida da distância que nos separa... se ela, de fato, só por ser capaz de afastar os corpos, já é tão tal a ponto de limitar o amor - o que eu, convictamente, creio que não.
Enquanto houver esses momentos cujos quais eu gostaria de poder vivê-los desfrutando da sua presença, raramente outra coisa seria mais apreciada do que aqueles em que o desejo de outrora é a realidade valendo a pena.
E, quando você chegar com o mesmo sorriso singular que me acalma – e, nesse instante, terá o efeito contrário – e pronunciar meu nome com o olhar, irei rumo ao abraço, na pressa de quem já não aguenta fingir paciência. Rirei do seu novo corte de cabelo. Exibirei meus modos desajeitados de sempre. Te ensinarei, mais uma vez, o caminho até a sala de estar. E ficarei contente de poder ouvir sobre os momentos que eu perdi e sobre o quanto você queria que eu tivesse estado lá da mesma maneira que eu mesma queria você aqui... como se fizesse diferença, desde que estivéssemos juntos.
A rotina, enfim, seria recompensada. A expectativa do reencontro, superada. E, o nosso amor expresso, impresso na foto que, mais tarde, dispensaria legendas.
Pois todo o tempo que vivi, estava a te esperar. 

Flecha ao alvo

Eu te vejo e não há questão de tempo até que um sorriso desenhe-se em meu rosto. Um sorriso meio tímido, de quem acaba de sentir uma lufada de vento frio redopiar no oco do estômago; mas sincero, de quem igualmente começa a sentir o peito palpitando de alegria. Simples. Eficaz. Apenas você e os efeitos colaterais que provoca. E a minha única teoria é que sou alvo fácil de um cupido possuidor de uma aljava com número incomensurável de flechas, atento ao menor vislumbre do mais frívolo fio de cabelo seu, o que garante que eu me apaixone de novo e sempre e incontáveis vezes, a cada vez que o vejo. Líquido e certo.
Tudo isso me faz acreditar que ser alvo não é o mesmo que ser vítima. Pelo menos, não quando ser atingido significa passar a ter uma vida repleta de amor ou quando, mais letal que todas as flechas, é o olhar que enfeitiça, as mãos que se entrelaçam, o coração palpável batendo em ritmo de samba-canção à milímetros do ouvido, a proteção dos braços que abraçam...
E, de qualquer forma, a primeira flechada foi tão certeira que me trouxe você. Talvez, tão certeira que também tenha te acertado. Deixa, que nós convivemos com essa dúvida perfeitamente bem.
Eles não entendem mas, às vezes, o cupido sabe o que faz.